Nove operários resgatados em condições análogas à escravidão em obra no Centro Histórico de Salvador

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Matéria publicada no Jornal A Tarde

 

Após denúncia do SINTRACOM-BA, auditores fiscais do trabalho resgataram, no dia 17/08, nove trabalhadores que estavam em condições de trabalho semelhantes ao escravo, em Salvador. Policiais Federais deram apoio na ação.

Os trabalhadores, vindo de diversas cidades do interior da Bahia, estavam há cerca de um mês trabalhando em obras de pavimentação e requalificação no Centro Histórico da capital, a serviço da empresa Soebe, responsável pelas obras.

Ao chegarem nos alojamentos, localizados na Estrada da Rainha e na Rua da Lama, os auditores fiscais do trabalho encontraram condições inadequadas de abrigo e higiene precária: não havia refeitórios, nem água potável para consumo humano. Em depoimento os trabalhadores disseram ter vistos ratos nas instalações.

Em um deles, uma construção inacabada, com cômodos improvisados, os trabalhadores dormiam em colchões no chão. Havia ainda uma cama improvisada, feita com a estrutura de andaime. Em outro espaço, havia um botijão de gás e ausência de janela.

Os trabalhadores estavam sem registro na carteira, não tinham feito exames médicos, com atraso no pagamento de salários, sem descanso semanal e sem local para fazer as refeições. Associadas à impossibilidade de retorno dos trabalhadores às cidades de origem, caracterizaram a condição degradante a que os mesmos estavam submetidos.

A empresa responsável foi notificada e os trabalhadores devem voltar às cidades de onde vieram. Foi determinado que a empresa regularize os problemas encontrados nas frentes de trabalho, faça o registro dos trabalhadores que estão sem carteira assinada, tome providências para pagamento das rescisões dos nove trabalhadores que foram resgatados, além de garantir o retorno deles às cidades de origem.

Os responsáveis pela empresa foram conduzidos pelos Auditores Fiscais do Trabalho à sede da Polícia Federal.


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Mery Bahia